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Fauna em Torres del Paine: animais emblemáticos do parque chileno

  • 5 mins

Da segunda maior densidade de puma documentada no mundo ao huemul, um dos cervos mais ameaçados da América do Sul

A fauna de Torres del Paine é uma das mais diversas da Patagônia chilena. Dentro do parque convivem mais de 25 espécies de mamíferos e uma centena de aves — entre elas o segundo maior felino do continente e uma das aves voadoras de maior envergadura do planeta.

Quais animais é possível avistar em Torres del Paine? Neste guia, você conhece as espécies mais representativas, o que as torna únicas e onde é mais provável encontrá-las.


Guanaco: a espécie que sustenta o ecossistema 05-Jun-17-2026-07-07-43-1729-PM

O guanaco (Lama guanicoe) é o camelídeo silvestre mais comum da Patagônia e o animal mais visível de Torres del Paine. Parente distante do camelo, chegou à América do Sul há milhões de anos e se adaptou a viver do nível do mar até 4.000 metros de altitude. Um guanaco adulto pode pesar 100 quilos, viver mais de 20 anos e correr a 60 km/h em terreno aberto.

Sua organização social é estrita. Os grupos familiares reúnem um macho dominante, várias fêmeas e as crias do ano — os chulengos, que nascem entre novembro e fevereiro e ficam de pé poucos minutos após o nascimento. Os machos jovens sem território formam grupos de solteiros, às vezes com mais de 30 indivíduos. O relincho curto e nasal do guanaco, seu chamado de alerta, costuma anunciar a presença de um puma a quilômetros de distância.

Sua importância vai além do visível: o guanaco é a base da cadeia alimentar do parque, presa principal do puma e alimento do condor quando morre. Sem guanacos saudáveis, não há puma viável. Os melhores pontos para observá-los são Laguna Amarga, Lago Sarmiento e a entrada da trilha Base Torres nas primeiras horas da manhã.

 

Puma: o predador topo de Torres del Paine01-Jun-17-2026-06-59-27-4713-PM

O puma (Puma concolor) é o segundo maior felino da América, atrás apenas da
onça-pintada. Torres del Paine é hoje um dos lugares com maior densidade documentada de puma silvestre no mundo — resultado da abundância de guanacos, da cobertura natural do terreno e de décadas de proteção que permitiram recuperar a população.
 
É um animal solitário e territorial. Um macho adulto pode defender até 200 quilômetros quadrados; uma fêmea, cerca da metade disso. Caça ao amanhecer e ao entardecer, principalmente guanacos jovens ou debilitados, com uma mordida certeira no pescoço. É o felino com maior capacidade de salto do mundo: até cinco metros na vertical e doze na horizontal. Diferente de leões e tigres, não ruge — vocaliza com assobios, rosnados e gritos agudos.

Avistá-lo em estado selvagem exige paciência, olhar treinado e, sobretudo, respeito pelas suas rotinas. Não é um animal que se exibe: é um animal que, com sorte, se deixa ver.

 

Huemul: o cervo ameaçado de extinção03-Jun-17-2026-06-58-59-8510-PM

Entre todos os animais do parque, o huemul (Hippocamelus bisulcus) é provavelmente o mais simbólico — e o mais difícil de ver. É o maior cervo nativo do sul da América do Sul, endêmico das florestas e áreas rochosas dos Andes patagônicos entre Chile e Argentina, e figura ao lado do condor no brasão nacional chileno.

Sua história, porém, é de perda. Antes da chegada dos colonizadores europeus, o huemul ocupava uma área que ia do rio Maule até o Estreito de Magalhães. Hoje, estima-se que restem menos de 1.500 exemplares em estado selvagem — uma queda superior a 99% em menos de dois séculos. É classificado como “em perigo” pela UICN, e o Estado chileno o declarou Monumento Natural.

Habita áreas escarpadas, prefere florestas de lenga e vales com vegetação densa, e costuma se deslocar em pares ou pequenos grupos familiares. É discreto e silencioso, e quase sempre se afasta quando percebe a presença humana. Avistá-lo em Torres del Paine é excepcional — quem já viu concorda: não é um avistamento que se busca, é um que acontece.

 

Condor andino: a maior ave voadora do mundo02-Jun-17-2026-06-59-48-9633-PM

O condor andino (Vultur gryphus) é, em peso e envergadura combinados, a maior ave voadora do planeta. Um macho adulto pode pesar 15 quilos e abrir as asas em até 3,3 metros de ponta a ponta. É uma ave carniceira — não caça, alimenta-se de animais mortos, o que o torna peça-chave no ciclo natural do parque.

Sua biologia impressiona: pode viver até 70 ou 80 anos na natureza, é monógamo por toda a vida e o casal permanece na mesma área de nidificação por décadas. A fêmea põe um único ovo a cada dois ou três anos, o que explica a vulnerabilidade da espécie — uma única morte por envenenamento secundário, sua principal ameaça, apaga anos de esforço reprodutivo. É classificado como Vulnerável pela UICN.
 
Voar custa pouco esforço uma vez no ar: o condor aproveita correntes térmicas para planar por horas sem bater as asas. Em Torres del Paine, é mais fácil observá-lo em meio da manhã, quando o sol aquece as paredes do Maciço Paine e formam-se as térmicas. O Mirador Condor, perto do setor Pudeto, é um dos pontos mais confiáveis para observá-lo.

 

Outras espécies emblemáticas do parque4-2

Além do puma e do guanaco, o parque abriga animais menores e mais discretos, vários deles com estados de conservação delicados.
●    Gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi): felino pequeno, do tamanho de um gato doméstico, de pelagem malhada. É crepuscular e noturno, por isso raramente cruza com caminhantes. Classificado como Quase Ameaçado.
●    Raposa-culpeu (Lycalopex culpaeus): a maior raposa da Patagônia, de pelagem avermelhada e porte robusto. Costuma aparecer à beira do caminho, sozinha e desconfiada.
●    Raposa-cinza (Lycalopex griseus): menor e mais acinzentada que a culpeu, convive com ela no parque.
●    Ñandu (Rhea pennata): a maior ave não voadora da América do Sul. Corre a 60 km/h e, em uma particularidade biológica, é o macho quem choca os ovos e cria os filhotes. Classificado como Quase Ameaçado.
●    Pica-pau-gigante (Campephilus magellanicus): o maior pica-pau da América do Sul, endêmico das florestas austrais. O macho exibe uma crista vermelha característica.



Conservação da fauna de Torres del Paine

Várias das espécies descritas acima são frágeis: o huemul está em perigo de extinção, o condor andino é vulnerável, o gato-do-mato-grande figura como quase ameaçado. Protegê-las exige mais do que um parque bem delimitado; exige trabalho permanente em campo, dados rigorosos e decisões bem informadas.

Esse é o objetivo da Las Torres Patagonia Conservancy, uma ONG dedicada ao cuidado e à conservação da fauna e dos ecossistemas do parque. Por meio de programas de monitoramento, restauração ecológica, pesquisa científica e educação ambiental — em parceria com cientistas, universidades e outras organizações —, a Conservancy reúne informações essenciais para a proteção das espécies e a saúde do ecossistema.

 

Considerações finais

A fauna de Torres del Paine não é cenário, é parte da paisagem. Observá-la bem, do guanaco que sustenta a cadeia ao condor que cruza o Almirante Nieto à tarde, exige tempo, orientação e silêncio. Para a temporada 2026-2027, o Hotel Las Torres vai apresentar uma nova excursão de observação de puma, conduzida por equipe especializada em rastreamento e comportamento do felino, com vagas exclusivas para hóspedes.